Maurício, tenho pensado muito nos girassóis que me compraste na última semana. Nosso jardim continua apenas cheio de rosas vermelhas e o nosso negro e verde, que é o que conseguimos enxergar, me contagiam. Maurício, eu posso enxergar o amarelo-alaranjado das flores, mas o céu continua da cor dos teus olhos. Apesar de serem azuis, é o verde que me contamina.
Maurício, mostra a cara. De novo. Sabe, meu amor, não gosto tanto assim de flores. Se para ti elas alegram o ambiente, para mim apenas deprimem. Elas morrem, Maurício. E quem é que vai enterrar uma flor? Elas são jogadas no lixo, junto com nossos dejetos, quem sabe junto com as sobras da comida que não quisemos. Se isso deveria alegrar uma casa, Maurício, estamos olhando para o lado errado. Maurício, por favor, olhe pra mim.
Amor, Mona Lisa continua sem sorrir. O sorriso mais sincero, mais perfeito, mais “blá blá blá”. Me poupe, Maurício. Ela não sorri. Essa mulher tinha uma vida miserável, aposto contigo. E que motivos se tem para sorrir se sua vida não vale a pena?
Maurício, olha pra mim. Vê essa cicatriz em meu umbigo? A culpa é tua. Se o negro te atrai tanto, Maurício, por que continuas fingindo que não? Por que as cores precisam sempre estar trocadas para nós? Maurício, eu amo teus olhos azuis, e sei que tu também gostas do vermelho, mas precisamos realmente olhar de outro jeito? Não seria nosso daltonismo apenas algo da nossa cabeça?
Maurício, não afaste os olhos de mim. Se queres flores amarelas em casa, venha comigo ao jardim e vamos plantar. Mas não me olhe assim. Não se afaste de mim… Não sorria, Mona Lisa. Não desvie os olhos.
Hannah S.
Nenhum comentário:
Postar um comentário