Amor, o céu não é teu para que me tomes ou me dês, embora continues prometendo que carregaria as estrelas nas costas para assim brilharem para mim. O mar não é teu para que me prometas que se esvazie. Os planetas não são teus para que prometas que virão até mim se eu assim quiser.
As estrelas não brilham, o mar continua assustador – mas, de certo modo, pedindo para ser desbravado! – e os planetas, distantes. Nada que façamos poderá mudar o fato de que a primavera, as flores e os espinhos não ressuscitarão apenas por nossa causa. Maurício, se ao menos quisesse ressuscitar a mim, eu teria maiores motivos para acreditar nessa história de amor eterno. Mas você, como sempre, está olhando para o outro lado.
Queria saber o que tem de tão interessante nesse outro lado. Ou será apenas a falta do meu olhar? É isso que aprecias, meu amor? Que eu também olhe para o outro lado e ignore o verde dos teus olhos? Assim como você ignora o vermelho dos meus? Somos um casal triste, Maurício. Ou talvez ‘infeliz’ se encaixe melhor na descrição.
Eu o amo.
Sei que não o digo com tanta frequência e talvez seja difícil acreditar, visto meu comportamento diário em tua presença, mas eu o amo. Embora continue acreditando que nossos sorrisos são falsos e nossa frequência de troca de olhares seja muito pequena, eu o amo. Já lhe disse, Maurício? Eu o amo.
– Você tem algum tipo de frenesi com o meu nome ou o quê? – ouço tua voz se direcionando a mim, olhando bem a fundo os meus olhos. Algo completamente incomum.
– O quê?
– Fala o meu nome sem parar, me irrita. – você explica e me sinto perdida.
– Falo?
– Sim. Fica sussurrando “Maurício” o dia todo, falando consigo mesma. – Você me olha mais uma vez os olhos e desvia o olhar. Se direciona à janela e me dá as costas.
– O quê?
– Fala o meu nome sem parar, me irrita. – você explica e me sinto perdida.
– Falo?
– Sim. Fica sussurrando “Maurício” o dia todo, falando consigo mesma. – Você me olha mais uma vez os olhos e desvia o olhar. Se direciona à janela e me dá as costas.
Maurício, talvez tu devesses dizer meu nome também. Somos tão contraditórios, amor. Só porque somos daltônicos não quer dizer que não podemos admirar as cores. Só porque moramos em um cemitério urbano não significa que não podemos amar o mar. E amando o mar, amaríamos os planetas, por mais que nenhum se reflita no oceano. Se os trouxesséssemos mais para perto, talvez… mas não.
Te diria que tenho saudade de ti, mas a saudade não existe para nós, Maurício. Tu vives em mim e eu vivo em ti, e assim nos completamos, nos esquentamos nas noites de frio, caminhamos de almas entrelaçadas. Tanto no verde, quanto no negro. E seremos a cura para nosso daltonismo, basta querer. Tu queres, Maurício? Me queres?
– Mau… Maurício? – te chamo.
– Que foi?
– Eu o amo. – te digo e sinto algo diferente em teu olhar. Me assusta.
– E eu amo as cores. – você diz e me vira as costas.
– Que foi?
– Eu o amo. – te digo e sinto algo diferente em teu olhar. Me assusta.
– E eu amo as cores. – você diz e me vira as costas.
Eu caí, Maurício. E doeu.
Hannah S.
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