Meu Romeu, meu amor, o que fizestes à mim, o que foi que pensastes? Já não eras tu o mais estúpido dos homens, o mais insensato e pateta de todos os homens existentes? Já não eras tu corajoso o suficiente para matar pobre Tebaldo, ameaçar pobre Paris, invadir minha varanda à noite e declarar-se à altas horas? Não eras tu aquele homem corajoso de me roubar um beijo e ainda pedi-lo de volta como se fosse o mais astuto e sagaz homem de todos? Ora, já percebestes o quanto sois - ou fostes, no caso - mais em tudo que me envolve nessa mediocridade em que ando vivendo? És - ou fostes, no caso. Oh, céus, devo eu me acostumar? - o mais em mim, o mais em minhas varandas, meus castelos, meus vestidos e meus lábios, mais tu, Romeu, e menos Montéquio, menos Capuleto, menos mamãe, menos ama, menos cortinas que me fecham deste mundo em que sou apenas uma menina de quatorze primaveras, apenas uma moça, recém desmamada, diria papai. Tu fostes meus momentos de prazer, de alegria, tu trouxestes a mim as cores do arco-íris à Terra. Tão inteligente, tão persistente, tão você. E agora em que aqui me encontro admirando a brancura da tua pele, o vermelho dos teus lábios, teus olhos fechados e cerrados para sempre… O que pensastes, meu Romeu, o que tivestes em mente?
Deves estar decepcionado em não me encontrar, não é? Deves estar a me procurar, a me buscar, gritando por mim em tantas varandas perdidas por aí. Toco teu rosto gélido e me arrepia a pele teu toque ainda assim tão teu, tão cheio de teu amor. Entornando de dentro de nós, aquele amor que não se segura, não se espera e nem se mede. Aquele tipo de amor em que até mesmo a morte não separa. Em teus lábios nem mesmo uma gota encontro, apenas o gosto doce da tua boca eu sinto e te pergunto em silêncio porque fostes tão egoísta, tão mesquinho em tomar toda esta dose de veneno. O que pensastes, meu amor, achastes que te abandonaria deste jeito como tu o fizestes? Não, meu Romeu, meu estúpido Romeu. Mas não te quero deixar, preciso ver teus olhos e te ver pedindo-me perdão. Me matastes, Romeu. Morri. Primeiro por dentro e depois por fora. Agora. Me diz, Romeu, morrer dói? Conversaremos sobre isso depois, meu amor. Por hora, existe um punhal que me espera.
Da tua eterna Julieta nunca mais Capuleto
Não concordo, simplesmente porque ele matou quem matou seu melhor amigo e veio o irritando durante toda uma vida. Simplesmente não concordo com nada do que falou.
ResponderExcluireu tbm naum, eu acho que o amor dos dois era bonito e tals... Não gostei.
ResponderExcluirConcordo, Anônimo, na verdade eu adoro Romeu e Julieta, já li várias vezes e entendo a história e concordo com teu ponto de vista mas esse texto foi pensando em Julieta, não em Romeu. Tentei me imaginar na situação dela acordando feliz achando que finalmente ia poder começar a vida dela com o homem que ela ama e ela descobre que ele está morto. Quis retratar a decepção dela.
ResponderExcluirMas, é claro, respeito tua opinião. E agradeço o comentário!
eu achei muito inteligente o texto, e pensei como se eu fosse Julieta. Adorei
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